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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Bolas de papel

me pergunto se é sonho ou ilusão
o que eu vejo, o que eu sinto
meus planos viram bolas de papel
sem porquê
tudo se dilui e vira ilusão
um mar de feo 
fecho os olhos pra não ver
mas o que eu sinto me destrói
sinto frio e calor
som e um pouco de fé
por dentro me sinto como um chapéu


sábado, 13 de junho de 2015

Poesia sem medo

quase deixo me levar
me entrego e volto atrás
sinto falta do cheiro da chuva
molhando o quintal, semeando o chão

vejo lobos em pele de ovelha
incêndio em brasa vermelha
o inferno está fora de moda
querendo ostentar, ostentar e aparecer

pelo que tem, pelo que são
são os melhores que se tem notícia 
até onde se sabe 
o veneno adoça a garganta
e o diabo amassa o meu pão

sonho, vida, viagem errada
sim e não, sim e não, sim e não

um minuto de puro silêncio
uma pausa na respiração
de hoje em diante eu serei 
sempre um bom menino

até o presente instante
não passei de um cavalo
e vida que dou importância
me fecha a porta
e água que me acariciou
hoje em dia me afoga

vejo luzes no céu
sonho vivo de cor
céu e mar, 
só meu céu
te amar, no papel
e sorrir, e ver que a vida 
é sempre mais 
amar

poesia sem medo
de tocar corações
liberdade e desejo
em um mesmo chão
e um monte de coisa 
que a gente abraça
o medo e o delírio
que a gente não quer

e num momento tudo desmorona
e eu sou o muro
num instante tudo se evapora 
e eu sou o furo

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

tudo é na faixa

verdades e mentiras
silêncio e som
as mesmas horas
passam diferente
a variedade é constante
os mesmos quadros 
se repetem
as vezes o certo e o errado 
são indistinguíveis

palavras que estão no dicionário
explicam umas as outras
mas são incapazes de descrever
o mundo com certeza

a fé, a fama, a falta de jeito
fazem por vezes
idiotas rolarem pelos barrancos
o querer saber limita a vista
o saber de mais é mera afirmação

as certezas se desfazem em gotas
e rolam pelas paredes que dividem os eventos
e a música do silêncio toca
toda ao mesmo tempo
mas se pára para ouvir
só se ouve uma faixa



terça-feira, 7 de outubro de 2014

trovoadas

o som delicado do trovão
anuncia a chegada da chuva
o ronco grave de motor
se mistura a tempestade

a brisa gelada beija os ouvidos
o cheiro da terra traz saudade
gota-a-gota, caindo do céu
e se arrastando pelo chão

doces notas retumbantes
batucando nos telhados
num ritmo hipnótico e relaxado
a grama fica molhada

e como um tigre manhoso
o céu ronca no tom mais grave
que se pode ser escutado
o corpo treme, ressonante
e os olhos olham vidrados

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

vai que vai

Frio e calor
alegria e dor
os dois lados
na mesma moeda
medo e desespero
ansiedade e desejo
frustração
orgulho da conquista
medo da morte
felicidade e gratidão
observação e sorte
teleguiados
como fica
sinto o desespero
mas não o abraço
o coração dispara
e sigo o passo
e vai que vai
e vai além
e tudo passa
cada sensação
ruim e bom

e vou além

me sinto bem
e vou além
até onde
eu aguentar
não vou chorar
não vou lutar
vou abraçar a vida
como ela for
plantando a semente do amor
lapidando a dor
cantando um som
que faz vibrar
falando sem falar
querendo sem querer
andando sem sair do lugar

Renascer

Renascer e viver
a vida sempre dá o chão
levantar e lutar
fazer o que 
o coração mandar
se esquecer do mal
e do bem
não julgar ninguém
estender a mão
seguir sem culpa
sem fugir da luta
sem olhar pra trás
estar presente
e seguir em frente
lutar, lutar, lutar
até ver que é em vão
se entregar
sem medo de cair
sem medo de sangrar
se amar
amar, amar
correr sem direção
em direção qualquer
sentar e esperar
se acalmar e
até sorrir